Copa, figurinhas e dinheiro: como transformar a empolgação em aprendizado para a vida toda
- Carolina Ligocki

- 4 de jun.
- 3 min de leitura
A Copa do Mundo tem um poder especial: ela reúne famílias, desperta emoções, cria memórias e faz crianças e adultos vibrarem juntos. Mas, fora dos campos, existe outro jogo acontecendo — o jogo das escolhas. E ele aparece nas pequenas decisões do dia a dia: comprar uma camisa, pedir delivery para assistir aos jogos, trocar a televisão ou começar o tão desejado álbum de figurinhas.
Para muitas famílias, o álbum tem sido um grande desafio. A coleção da Copa de 2026 tem 980 cromos, sendo 68 especiais, e o envelope com sete figurinhas custa R$ 7 no Brasil. Isso significa que, mesmo sem nenhuma repetida — algo praticamente impossível — seriam necessários 140 envelopes, ou R$ 980 apenas em pacotinhos, sem contar o valor do álbum. Geralmente, as pessoas acabam pagando de 3 a 5 vezes esse valor para conseguir completar o álbum, podendo passar de R$ 3.000,00.
E é aí que mora uma oportunidade preciosa: usar o álbum não apenas como consumo, mas como conversa. Afinal, quando a criança diz “todo mundo está colecionando”, ela está falando de pertencimento, amizade, desejo de participar e alegria. O papel da família não precisa ser acabar com a magia, mas ajudar a criança a perceber que o dinheiro, assim como a água em um reservatório, tem limite. Quando abrimos uma torneira para uma escolha, sobra menos para outra.
Antes de comprar “só mais um pacotinho”, vale propor uma pausa: qual é o nosso combinado? Quanto definimos que iríamos gastar? O que mais queremos fazer com o dinheiro? O objetivo é completar o álbum a qualquer custo ou participar da experiência da Copa? Essa conversa simples ensina planejamento, prioridade, espera, negociação e responsabilidade — comportamentos financeiros valiosos para toda a vida. O álbum pode ser vivido como estratégia coletiva, com trocas e interação social, ou como compra compulsiva, com acúmulo de repetidas e custo elevado.
Uma primeira sugestão é criar o orçamento da coleção. A família define um valor total para o álbum e divide esse dinheiro ao longo das semanas. A criança pode acompanhar em uma folha, pote ou desenho de “reservatório”: entrou dinheiro, saiu dinheiro, quanto ainda temos? Assim, ela visualiza o fluxo e entende que o dinheiro gasto em figurinhas não poderá ser usado em outro desejo ou necessidade.
Outra proposta é fazer o álbum compartilhado. Em vez de cada filho ou cada amigo tentar completar um álbum sozinho, o grupo pode ter um álbum coletivo. Todos contribuem com um pequeno valor, registram as compras, organizam, trocam as repetidas e decidem juntos quando parar. Essa prática ensina cooperação, gestão, controle de gastos e tomada de decisão em grupo.
É possível também usar as figurinhas para preencher um mapa-múndi e explorar outras habilidades e, com isso, ter figurinhas para trocar e interagir sem ter que completar o álbum todo. As figurinhas repetidas também podem ganhar novas funções. Elas podem virar jogo da memória, cartas para perguntas sobre países, ranking de seleções, decoração para dias de jogo, marcadores de página ou material para criar um “álbum alternativo” da família, com desenhos, curiosidades e histórias da Copa. Assim, aquilo que parecia desperdício se transforma em criatividade.
Uma sugestão valiosa é criar a regra do “comprou, registrou”. Cada pacote aberto entra em uma tabelinha simples: data, valor, quantidade de novas figurinhas, quantidade de repetidas. Depois de algumas semanas, a criança começa a perceber algo muito importante: nem todo gasto gera o resultado esperado. Essa é uma aula prática sobre gestão, frustração, probabilidade, limites e escolhas.

Também é possível usar a tecnologia a favor da família. A Panini e a Coca-Cola têm uma experiência de álbum digital, com pacotes digitais gratuitos e possibilidade de troca com outros fãs. Para algumas famílias, essa pode ser uma forma de participar da brincadeira com menor pressão de consumo. https://www.coca-cola.com/br/pt/offerings/copa-do-mundo-da-fifa-2026/panini?
No fundo, o álbum de figurinhas não precisa ser um problema. Ele pode ser memória afetiva, diversão, troca, vínculo e aprendizado. O problema não está em colecionar; está em comprar no automático, sem planejamento e sem perceber o impacto dos pequenos gastos todos os dias.
Quando a família conversa com carinho, estabelece combinados e amplia as possibilidades, a criança aprende algo que levará para a vida: dinheiro é um recurso importante, mas não precisa comandar nossas emoções. Podemos torcer, brincar, trocar, criar e celebrar com responsabilidade.
E, se a Copa é algo muito valioso para você e sua família, quem sabe não é hora de começar a guardar um pouquinho de dinheiro todos os meses para aproveitar melhor a próxima Copa?
Lembre-se! A Copa passa. O álbum fica guardado. Mas os comportamentos construídos nesse período podem acompanhar sua família por toda a vida. Até a próxima!
Carolina Ligocki
Fundadora e autora da Oficina das Finanças



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